
A política do Distrito Federal começa a ganhar um novo desenho eleitoral com a possível saída do governador Ibaneis Rocha do cargo para disputar o Senado Federal. Com isso, a vice-governadora Celina Leão assume o comando do Governo do Distrito Federal, passando a ter em mãos a estrutura administrativa e o protagonismo político, o que altera significativamente o cenário para as próximas eleições.
A movimentação não apenas reorganiza o tabuleiro local, como também abre espaço para uma disputa mais ampla envolvendo forças consolidadas da direita no DF.
Entre elas, o grupo ligado ao ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, especialmente o Partido Liberal (PL), que hoje figura como uma das principais bases do campo conservador na capital.
Com Ibaneis fora do governo e focado na corrida ao Senado, a eleição para a vaga tende a ser uma das mais acirradas dos últimos anos. Dentro do PL, um dos nomes cotados é o da deputada federal Bia Kicis, que reúne forte identificação com o bolsonarismo e possui base eleitoral consolidada entre os eleitores conservadores.
Caso a candidatura se confirme, o Distrito Federal poderá assistir a uma disputa direta entre dois polos da direita:
Ibaneis Rocha, representando o grupo atualmente no poder
Bia Kicis, como nome ligado ao bolsonarismo e ao PL
Esse cenário tende a fragmentar o eleitorado conservador, fator que historicamente influencia de forma decisiva os resultados eleitorais.
No âmbito do Governo do Distrito Federal, o quadro também se mostra delicado. Com Celina Leão à frente da gestão, a tendência natural é que ela se coloque como candidata à reeleição ou à continuidade do grupo político no comando do DF.
Entretanto, dentro do PL, surge um nome com forte potencial eleitoral: Michelle Bolsonaro.
A ex-primeira-dama reúne atributos considerados estratégicos para uma eventual candidatura:
Alto reconhecimento nacional
Forte apoio do eleitorado conservador
Ligação direta com Jair Bolsonaro
Capacidade significativa de transferência de votos
Mais do que uma disputa puramente eleitoral, o cenário envolve também fatores pessoais e políticos. Michelle Bolsonaro mantém uma relação próxima e amistosa com Celina Leão, o que pode influenciar diretamente nas decisões futuras do grupo conservador.
Dessa forma, o que se desenha no Distrito Federal não é apenas uma eleição, mas uma complexa equação política que envolve alianças, estratégias e a possibilidade real de divisão dentro da direita — elemento que pode ser determinante para o rumo do poder na capital do país.

