
Um levantamento da Folha do Maranhão revelou que a gestão do prefeito Eduardo Braide contratou, por meio da Secretaria Municipal da Fazenda (SEMFAZ), a empresa Log Lab Inteligência Digital Ltda por R$ 12.097.350,00 para prestação de serviços de tecnologia da informação. A contratação levanta suspeitas, uma vez que a empresa é investigada pela Polícia Federal e não possui sede registrada em São Luís, operando a partir de Cuiabá (MT).
Segundo a reportagem, a Log Lab é alvo da Operação Iterum, deflagrada pela Polícia Federal para apurar fraudes em contratos públicos firmados com a Secretaria de Saúde de Cuiabá entre 2017 e 2022. As investigações apontam que a empresa recebeu mais de R$ 52,8 milhões da Prefeitura de Cuiabá no período, dos quais R$ 13,7 milhões são oriundos de recursos federais.
O inquérito também identificou o repasse de R$ 176 mil à Carine Luckmann, esposa de Júnior Leite, então secretário adjunto da Prefeitura de Cuiabá. Os valores teriam sido pagos em cheques fracionados – todos abaixo de R$ 50 mil e, em muitos casos, emitidos no mesmo dia – além de transações imobiliárias suspeitas envolvendo imóveis de luxo no Brasil e no exterior. Os repasses foram feitos diretamente pelo empresário Antônio Fernando Ribeiro Pereira, proprietário da Log Lab.
Ainda de acordo com a investigação, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra a Log Lab, seu fundador e outros oito alvos, entre pessoas físicas e jurídicas.
Em São Luís, a contratação da empresa ocorreu por adesão a uma ata de registro de preços da Prefeitura de Cuiabá, datada de 2024. O processo se deu logo após a SEMFAZ rescindir, de forma unilateral, o contrato com a empresa Argo Inteligência Digital, que até então prestava serviços semelhantes. A rescisão, segundo apuração, ocorreu sem a necessidade de concordância da Argo, conforme previsto na legislação.
A ausência de sede da Log Lab na capital maranhense e o histórico de investigação da empresa reacendem o debate sobre os critérios adotados pelo Executivo municipal na escolha de seus prestadores de serviço. Até o momento, a Prefeitura de São Luís não se pronunciou oficialmente sobre a contratação da empresa investigada.





