
Um leitor fez uma cobrança pertinente ao Diário de Ceilândia. Ao observar críticas constantes ao governo Ibaneis Rocha, ele questionou por que não há a mesma intensidade de cobrança direcionada aos deputados eleitos pela cidade diante dos problemas enfrentados pela população.
A observação é direta e merece resposta no mesmo tom. Não se trata de defender ou atacar lados, mas de compreender como as responsabilidades são distribuídas. Quem está no governo executa, administra orçamento e toma decisões. Já os parlamentares têm como função fiscalizar, cobrar e pressionar o Executivo. Esse é o papel básico de qualquer representante eleito.
É justamente nesse ponto que a crítica ganha força. Ceilândia continua convivendo com problemas antigos e visíveis, que fazem parte da rotina de seus moradores. Buracos nas vias que permanecem por longos períodos, serviços públicos que demoram a chegar e demandas acumuladas sem resposta. Situações que não exigem discursos elaborados, mas sim presença, cobrança pública e atuação firme.
É preciso dizer com clareza: a cidade está largada em muitos aspectos. E essa realidade não pode ser atribuída apenas a quem governa. Ela também reflete a ausência de uma atuação mais efetiva por parte de quem foi eleito para fiscalizar, dar visibilidade e cobrar soluções para os problemas que afetam diretamente a população.
Durante o período eleitoral, Ceilândia ganha destaque. Torna-se bandeira, discurso, identidade e compromisso. Após as eleições, no entanto, o cenário frequentemente muda. O que se vê, em muitos casos, são atuações voltadas a nichos específicos, interesses pontuais e agendas segmentadas, enquanto os problemas mais evidentes da cidade seguem sem a pressão política necessária.
O leitor está certo. A cobrança não pode ser seletiva. Não deve se limitar apenas ao governo. Os deputados eleitos por Ceilândia precisam ser mais presentes, mais atuantes e mais visíveis em suas cobranças. Fiscalizar não é favor, nem opção — é obrigação.
No fim, a crítica expõe um vazio que incomoda e precisa ser enfrentado: não basta eleger representantes. É essencial que eles representem de fato, acompanhem a realidade da cidade e respondam às demandas de quem os colocou no cargo.

